O porquê dos Jogos Olímpicos não serem benéficos ao Brasil

Por Victor Cezar

Logo oficial da candidatura.

Logo oficial da candidatura.

O Rio de Janeiro, outrora capital do Brasil, é inquestionavelmente a cidade mais reconhecida do país pelo mundo afora. Por tal razão, é comum  até uma exposição midiática excessiva dela, caracterizada como “capital da cultura”, “capital das belezas naturais” ou do que mais for possível. O governo, o COB e todos os envolvidos – mesmo pela singularidade do que está acontecendo, que dificilmente se repetirá num curto período de tempo  – tentam vender a imagem de “Olimpíadas do Brasil” para todos  – algo inédito, já que as Olimpíadas de Sydney não foram encaradas como “da Austrália”, nem as de Barcelona como “da Espanha”, além de ser um equívoco.

Na teoria, a realização das Olimpíadas representaria, a partir da capital fluminense, um salto enorme de infra-estrutura para toda a nação – que já deveria ter ocorrido, mas o investimento não existe, então é melhor deixar acreditarem que ocorrerá compulsoriamente graças aos eventos de visibilidade internacional que estarão acontecendo em seqüência. Afinal, representou no passado, como em Munique ou Barcelona – fato argumentado incansavelmente pelos defensores da candidatura, sem considerar o estágio vigente de desenvolvimento interno das cidades européias naquela época, muito superior a qualquer uma brasileira atualmente ou nos próximos anos.

387733Ao contrário do que se diz por aí, a realização dos Jogos Pan-Americanos não foi um sucesso. Aliás, a lavagem de dinheiro foi enorme. O orçamento do Pan foi inflado em inacreditáveis 444%, sem contar os gastos que supostamente tiveram  para aperfeiçoar vias e melhorar a condição local.  Levando-se em conta que aquilo foi um teste para o que está por vir, a maior dúvida é de onde tiraram a idéia de que são capazes de fazer plenamente o que pretende. Que fique bem claro para quem duvidar, não há diferença alguma entre o Rio pré e pós-Pan – os mesmos problemas, mesma violência, mesmas ruas esburacadas e todas as questões abordadas no próximo parágrafo persistiram.

Considerando isso, a maior pergunta é como um municipío com o talvez pior sistema público de transporte entre as grandes capitais, que é internacionalmente comentado por viver uma interminável e sangrenta guerra civil, que possui uma rede de hotelaria aquém do que é necessário (que não pode ser comparada a São Paulo, quanto mais a Madrid, Chicago ou Tóquio), que abriga o m² mais caro do Brasil e ao mesmo tempo regiões sem saneamento básico e favelas gigantes pretende sediar o maior evento esportivo do planeta. É difícil entender como uma cidade sul-americana cheia de problemas sociais, maiores do que deveriam ser, deixa de lado as urgências de sua população para apostar em algo incialmente supérfolo, alegando que esse será o melhor meio para fazer tudo que não é feito naturalmente.

Pensando nos esportes em si, o despreparo beira o fantasioso para quem almeja tanto. A Federação Internacional de Natação (FINA) anunciou que o Rio de Janeiro não receberá a etapa brasileira da Copa do Mundo de natação por quatro anos, já que a cidade não obteve verba suficiente para mantê-lo. No basquete, o único clube carioca da NBB – o Flamengo – ficou quase sem jogar as semi-finais, pois o Maracanãzinho estava ocupado e a Arena Multiuso hoje pertence ao HBSC e serve primariamente para abrigar apresentações musicais (ou não teria nenhuma utilidade útil, vide a Vila do Pan); a realização da partida foi negociada e ocorrida depois no local que é do banco .

hsbc-arena

Atual HSBC Arena.

Interessante notar o quanto a política do pão e circo vigora nos tempos atuais. Sim, o nome da cidade vai mesmo alavancar – inclusive devido à Copa de 2014 -, junto com a corrupção e a demagogia política. Quem perde com isso é unicamente o povo brasileiro, que continuará assistindo a um evento doméstico de pompa na televisão e vivendo numa realidade miserável, bem diferente da mostrada pelas intermináveis propagandas positivas que serão mostradas a respeito do Rio nos próximos anos.

PS: Para entender melhor a situação, uma boa pedida é um documentário feito pela ESPN Brasil chamado “Brasil Olímpico: uma candidatura passada a limpo”. Ele pode ser encontrado na própria internet, em sites como o Youtube.

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